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quinta-feira, 17 de julho de 2008

DIÁRIO DE BORDO ¹

Entre os muitos momentos estressantes da escola existe um que é tipo um oásis num deserto escaldante, ratificado tanto por professores quanto por alunos: o recreio.
É nesta oportunidade que aproveitamos para um contato mais estreito com esses sujeitos do fazer escolar. É nesse ínfimo espaço de tempo, que procuramos trocar informações com os professores sobre os alunos e com esses sobre aqueles. É, também, nessa ocasião que aguçamos as nossas audição e visão, numa perspectiva mais crítica, para tentarmos entender o nível do relacionamento entre esses protagonistas do processo ensino-aprendizagem, quando este, realmente, existe.
Muita coisa se ouve de ambos os lados; mas, nem tudo se processa, até porque não diz respeito ao que queremos focar enquanto objeto de estudo e análise.
Cabe o registro do que caracterizamos como uma " pérola" por parte de um docente, quando solicitou-se, já quase no final desse tempo de descanso do dia letivo, que os professores desenvolvessem a sua porção educadora no sentido de conversar com os alunos sobre o problema que estava ocorrendo de alguém que estava quebrando a bóia da caixa de descarga do banheiro masculino. Uma professora retrucou, dizendo o seguinte:
_ Ah, querido, interessante para os alunos é ouvir alguém diferente da gente. Eles respeitam mais. Quando a gente fala, eles nunca ouvem.
Entendemos, que nessa fala dá para se perceber a gritante diferença entre o professor e o educador e de como o profissional da educação consegue reduzir a sua ação profissional ao simples ato da transmissão de informações científicas ou, numa linguagem mais simplória, de repassador de conteúdos escolares. Formação integral não faz parte de sua prática, pois não fez de sua formação teórica.
¹. Fala de uma professora de LP, numa escola de ensino médio onde faço hora extra como Orientador Educacional, em substituição a uma colega que se encontra de licença médica. Cabe registrar, que esta UE não me é estranha, pois atuei como docente na mesma por dezessete anos consecutivos.

sábado, 28 de junho de 2008

NO OLHO DO FURACÃO

NO OLHO DO FURACÃO: " o real não está na saída nem na chegada ele se dispõe para a gente é no meio da travessia" ¹ .
Francisco Carlos de Mattos ²
Não é o que e como pensávamos quando da época da faculdade e nem como agora quando, em plena travessia do cotidiano, experimentando limites no exercício da profissão de Orientador Educacional, a transformamos numa ocupação de exercício de limites... de intransigências, desumanidades, e outras características não aplicáveis ao ofício.
No cotidiano desse profissional, por força da sua formação acadêmica, pelos estudos e pesquisas desenvolvidos nos campos da Psicologia, da Sociologia, da Filosofia, da História da Educação entre tantas outras disciplinas que fundamentam e contribuem para a concepção mais humana do ser e, no nosso caso, principalmente, da criança e do adolescente, não deve existir espaço para a inserção dos vocábulos acima citados.
Não é difícil encontrar alguns profissionais ainda perdidos no modo de agir diante de algumas situações que surgem no dia-a-dia da escola. Ação preventivo-educativa através da orientação de posturas, atitudes, concepções diante da vida, reflexões sobre os limites sociais, geográficos (ocupação do espaço), respeito ao outro ou procedimento punitivo? Analisar, nesse último caso, determinada postura de um aluno, "ao rigor da lei" e puní-lo com uma suspensão de um a três dias das atividades escolares ou até mesmo adverti-lo, caso haja reincidência, de afastamento das aulas ou de uma transferência compulsória (expressão pomposa para substituir a palavra expulsão), contribui para o entendimento deturpado da função do Orientador Educacional por parte dos outros profissionais da escola e para a sua exclusão dos quadros da equipe técnico-pedagógica ou até mesmo da educação brasileira. Não precisamos fazer uma pesquisa muito acurada para perceber, que, se um dia conquistamos espaços nos diversos âmbitos educativos (redes federal, estaduais e municipais), já os perdemos em vários pontos. O procedimento punitivo pode ser efetivado por qualquer profissional da escola, menos pelo Orientador Educacional.
Imagem disponível em madeiraviva.blogspot.com/2007/11/pai-e-filho-...
¹. Grande sertão: veredas . 14 ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1980.
². Orientador Educacional do Município de Cabo Frio desde 1994.
OBS.: Texto em construção